A CIENTIFICIDADE DOS TRABALHOS DE TERAPIA ASSISTIDAS POR ANIMAIS NO BRASIL: BUSCA DE DADOS PUBLICADOS EM CURRÍCULOS DE PROFISSIONAIS INSCRITOS NA PLATAFORMA LATTES

 

Alexandre Magno Frota Monteiro¹

alexandre@centronati.com / alexandre@animallis-taa.com

 

¹ Mestre em Neurociências e Especialista em Neuropsicologia e Demências pela Universidade de Barcelona, Técnico em Terapia Assistida por Animais pela Harcum College – USA, Coordenador do Projeto Animallis de Terapia Assistida por Animais, Responsável Técnico do Centro de Neuropsicologia Aplicada à Terceira Idade.

 

 INTRODUÇÃO

 A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma técnica utilizada por profissionais da área de saúde humana para o tratamento da saúde física, mental ou social de seus pacientes. Tem objetivo terapêutico específico e é direcionada à reabilitação das funções ligadas a área de cada profissional de saúde humana envolvido no projeto.
Falar de Terapia é falar de reabilitação e somente profissionais da área da saúde humana podem reabilitar seres humanos. Infelizmente não é o que vemos dentro de alguns projetos de TAA pelo Brasil, onde profissionais que não são da área da saúde humana acreditam estar fazendo TAA e, muitas vezes, acabam direcionando o processo de reabilitação de forma incorreta ou fazendo com que os assistidos tenham uma piora em seu quadro, pois não entendem conceitos técnicos e práticos de reabilitação humana. É importante frisar que tais profissionais sem habilitação técnica para trabalhar com reabilitação de seres humanos acabam exercendo ilegalmente a profissão.
 
OBJETIVO

 O objetivo deste artigo foi analisar, de forma simples, a prática de programas e de profissionais que atuam com a Terapia Assistida por Animais no Brasil. Para isto, foram levantados dados de profissionais registrados na Plataforma Lattes, suas áreas de atuação, tipo de pesquisa, orientadores, coordenadores e a forma que o mesmo é posto em prática.

 
METODOLOGIA

 Após vários debates presenciais e virtuais com profissionais que diziam trabalhar com Terapia Assistida por Animais e perceber que não existia um denominador comum para quem pode exercer este tipo de terapêutica e também não conseguirmos entrar em consenso sobre a cientificidade da prática foi feita uma análise nos currículos inseridos na Plataforma Lattes para quantificarmos os profissionais e suas áreas de atuação.

 A pesquisa foi realizada inserindo o termo “Terapia Assistida por Animais” no espaço “buscar por: Assunto (Título ou palavra chave da produção)” e foram selecionados os campos “na base: Doutores e Demais pesquisadores (Mestres, Graduados, Estudantes, Técnicos, etc.)”.
 
Participaram da amostra da pesquisa, somente profissionais ou estudantes da área da saúde humana.

 

RESULTADOS

 No dia 30 de maio de 2010, foram encontrados 360 currículos na Plataforma Lattes em que aparecia o termo Terapia Assistida por Animais. Destes, somente 158, ou seja, 44% eram de profissionais da área da saúde humana.
Foram identificados 9 cursos voltados à reabilitação humana, dispostos na tabela abaixo em ordem alfabética. Os três cursos com maior frequência absoluta foram: Fisioterapia – 53, Psicologia – 41 e Enfermagem – 39.
Foram apresentadas 38 monografias, entre graduação e pós-graduação, e apenas 08 dissertações. 66 profissionais fizeram orientações de monografia e de dissertação.
Embora tenham sido apresentados 89 trabalhos, entre artigos, trabalhos em congressos e anais, a maioria dos trabalhos têm o mesmo título da monografia e alguns deles foram apresentados em mais de um evento.
62,5% das dissertações encontradas foram na área de Psicologia, 25% na área de Fisioterapia e 12,5% na área de Fonoaudiologia.

 

PROFISSÃO

Nº DE PROFISSIONAIS

MONOGRAFIAS

ORIENTAÇÕES

TRABALHOS

DISSERTAÇÕES

1

ED. FÍSICA

1

-

-

1

-

2

ENFERMAGEM

39

10

18

11

-

3

FISIOTERAPIA

53

20

18

22

2

4

FONOAUDIOLOGIA

3

-

-

8

1

5

MEDICINA

3

-

-

2

-

6

ODONTOLOGIA

5

-

-

10

-

7

PSICOLOGIA

41

5

22

27

5

8

SERVIÇO SOCIAL

1

-

1

-

-

9

T. OCUPACIONAL

12

3

7

8

-

 

 

Σ = 158

Σ = 38

Σ = 66

Σ = 89

Σ = 8

 

 

 

 

 

 

 

 LEGENDA:

 

Nº DE PROFISSIONAIS: referente à quantidade de profissionais que apresentaram trabalhos em cada área.

MONOGRAFIAS: referente à quantidade de trabalhos monográficos de graduação e pós-graduação apresentados por área.

ORIENTAÇÕES: dados referentes à quantidade de profissionais que orientaram monografias ou dissertações em cada área.

TRABALHOS: referente à quantidade de trabalhos apresentados em forma de pôster, palestras, mesas-redondas e anais em cada área.

DISSERTAÇÕES: referente à quantidade de dissertações de mestrado apresentadas por categoria profissional.

 

 

CONCLUSÃO

 Atualmente existe uma confusão conceitual referente às práticas dos projetos de Terapia Assistidas por Animais no Brasil. Esta confusão se dá em parte pela falta de bibliografia em português sobre o tema, da baixa produtividade científica e da utilização errônea dos conceitos de Terapia, Educação e Atividade Assistidos por Animais por alguns profissionais.

 A maioria dos dados relatados na Plataforma Lattes é de profissionais orientadores de trabalhos monográficos. Estes trabalhos tendem a ser muito parecidos visto que poucos alunos fazem pesquisa de campo e os dados existentes sobre o histórico da TAA são relativamente poucos. Outro dado relevante é referente à apresentação de trabalhos em eventos científicos, pois em muitos currículos existiam trabalhos apresentados em eventos com o mesmo tema da monografia e também apresentados em mais de um evento.
Em relação à qualidade destes trabalhos, infelizmente não é possível fazer uma análise, pois não existe dados sobre objetivo, metodologia, amostra, resultados. Como forma alternativa e de incentivo à pesquisa, poderia ser criado um site especializado nesta temática para a publicação desses dados, obedecendo aos critérios básicos para a publicação de artigos científicos.

 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Monteiro, A. M. F. – A TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS COMO FERRAMENTA PARA A REDUÇÃO DE COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS NA DOENÇA DE ALZHEIMER – Rio de Janeiro, 2009.

PLATAFORMA LATTES - http://lattes.cnpq.br/ - Acessado em 30 de maio de 2010.

 

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