DEMÊNCIA VASCULAR: UMA INTERFACE ENTRE A NEUROPSICOLOGIA E A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

 Alexandre Magno Frota Monteiro (Dignus, Rio de Janeiro, RJ), Luís Flávio Chaves Anunciação (Dignus, Rio de Janeiro, RJ), Rodrigo Cordeiro Barreto (Dignus, Rio de Janeiro, RJ).

 Palavras-chave: demência, neuropsicologia, reabilitação cognitiva.

 

Este estudo de caso indicia a importância da interface entre Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental visando a reabilitação cognitiva de idosos com síndrome demencial. O diagnóstico de síndrome demencial é feito quando há comprometimento, suficiente para interferir nas atividades diárias do paciente, da memória e de mais de uma outra área cognitiva. A demência vascular progride em etapas, ou seja, há um declínio cognitivo percebido nitidamente pelo paciente ou pela família. A cliente deste estudo é uma senhora de 64 anos, com curso superior incompleto, natural do Rio de Janeiro, divorciada, vítima de 7 AVC’s. É pensionista de seu pai que era militar. Separou-se do marido ainda grávida do único filho, que atualmente tem 34 anos. Relata ter tido uma infância muito feliz na França e nos Estados Unidos. Não sabe relatar a última viagem que fez nem de viagens feitas dentro do Brasil, relatando somente viagens ao exterior. Possui conhecimentos de inglês e francês, sendo capaz de compreender e responder frases curtas quando interrogada. Há cerca de um ano e meio sofreu um acidente de carro quando estava ao volante. O filho a interditou judicialmente logo após o acidente, pois, de acordo com os médicos, ela apresentava diagnóstico de Alzheimer. Atualmente está internada em uma clínica geriátrica. Relata que aquele não é o seu lugar, mas diz gostar muito da casa, pois todos a tratam muito bem. Por vezes apresenta comportamento agressivo para com os funcionários e os outros hóspedes da casa.

Apresenta dificuldade de marcha e equilíbrio. Por vezes esquece-se dos nomes de atores e pessoas importantes, o que a aflige muito. Possui a crença de que se a equipe de psicologia a avaliar e der um parecer favorável ela recuperará seus bens materiais na justiça e retomará sua vida novamente de forma independente. Queixa-se de

sempre ter sustentado os outros e atualmente viver de mesada para comprar pequenas coisas, como lanches, visto que todas as suas necessidades estão atendidas pela casa geriátrica que reside atualmente. A avaliação neuropsicológica mostrou “características” de demência vascular. Os resultados apontam sintomas de depressão na

área afetiva (reatividade emocional diminuída, anedonia, isolamento social e tristeza) e cognitiva (dificuldade de concentração, ideação de desesperança, de culpa e de inutilidade). O tratamento foi direcionado à: 1) orientação auto e alopsíquicas; 2) não memorização de dados novos, como nomes de pessoas; 3) habilidades sociais; 4) crença de que tem condições de viver de forma independente e sem cuidados fora da instituição em que vive atualmente. Como resultados obtivemos o aprendizado de estratégias compensatórias, onde tudo o que lhe era falado e ela julgava ter relevância era anotado em um bloco de anotações, o qual era revisto diariamente;  

diminuição do comportamento agressivo; melhora da orientação e do armazenamento de novas informações; e a aceitação de que apresenta dificuldades físicas e cognitivas e  de que no momento carece de cuidados especializados.