D E M Ê N C I A S

   
 

Demência é um termo usado para descrever pessoas com progressiva alteração de memória, geralmente memória para fatos recentes que, além disso, têm também dificuldades em outras áreas, como capacidade de planejamento e a linguagem. Demência é, portanto, uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas que pode ter diferentes causas.

O diagnóstico de demência, uma vez que é clínico, está fortemente ligado aos conhecimentos advindos da neuropsicologia, requerendo, assim, uma avaliação das capacidades cognitivas do paciente em questão.

 

  A demência apresenta três características principais:

 · Prejuízo da memória. Os problemas de memória podem ser desde um simples esquecimento leve até um prejuízo severo a ponto de não se recordar da própria identidade.

· Problemas de comportamento. Normalmente se caracteriza por agitação, insônia, choro fácil, comportamentos inadequados, perda da inibição social normal, alterações de personalidade.

· Perda das habilidades. São as habilidades adquiridas durante a vida, tais como, organizar os compromissos, dirigir, vestir a roupa, cuidar da vida financeira, cozinhar, etc.

 

 Sintomas iniciais

 - Redução da capacidade de memorizar coisas novas como nomes de pessoas, ruas ou transmitir recados.

- Diminuição do tempo de atenção - parece estar aéreo durante grande parte do dia.

- Dificuldade para executar tarefas domésticas simples.

- Desotientação no tempo e no espaço - frequentemente não sabe o dia em que estamos e o nome de ruas próximas à que o idoso reside.

- Problemas com matemática simples - normalmente atrapalha-se com pagamentos simples e conferência do troco.

- Dificuldade de expressar pensamentos - frequentemente as palavras somem ou estavam na "ponta da língua".

- Guardar objetos em lugares errados - colocar o telefone na geladeira.

- Humor inconstante, variável e imprevisível.

- Diminuição do desejo de fazer coisas e conhecer pessoas.

 
 
 
 

TIPOS DE DEMÊNCIA

     
 
 
 DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença degenerativa, progressiva que compromete o cérebro causando: diminuição da memória, dificuldade no raciocínio e pensamento e alterações  comportamentais.

Definida por muitos como “mal do século”, “peste negra”, “epidemia silenciosa” etc. a DA é ainda pouco conhecida em nosso meio e tem efeito devastador sobre a família e o doente.

Tida como uma doença rara, conhecida erroneamente como “esclerose” pela população em geral, a doença de Alzheimer representa para a comunidade sério ônus social e econômico.

A DA pode manifestar-se já a partir dos 40 anos de idade, sendo que a partir dos 60 sua incidência se intensifica de forma exponencial.

Nos EUA, 70 a 80% dos pacientes são tratados em seus domicílios, demonstrando com clareza a importância da orientação para a família nas questões relativas aos cuidados e gerenciamento desses pacientes. O restante dos doentes está sob os cuidados de clínicas especializadas. 60% dos residentes em asilos apresentam alguma forma de demência.

 Os sintomas mais comuns são: perda gradual da memória, declínio no desempenho para tarefas cotidianas, diminuição do senso crítico, desorientação têmporo-espacial, mudança na personalidade, dificuldade no aprendizado e dificuldades na área da comunicação.

O grau de comprometimento varia de paciente para paciente e também de acordo com o tempo de evolução da doença.

 Fonte: AlzheimerMed

 

DEMÊNCIA VASCULAR

A Demência Vascular é a segunda causa mais comum de demência. Ela tende a apresentar um início um tanto mais precoce que a Doença de Alzheimer e, ao contrário da doença de Alzheimer, os homens são mais freqüentemente afetados que as mulheres.

O início da Demência Vascular é tipicamente súbito, seguido por um curso flutuante e gradativo, caracterizado por rápidas alterações no funcionamento, ao invés de uma progressão lenta. O curso, entretanto, pode ser altamente variável, e um início insidioso com declínio gradual também é encontrado.

Para o diagnóstico de Demência Vascular deve haver evidências laboratoriais de doença cerebrovascular consideradas relacionadas com a demência. Os sinais neurológicos focais na Demência Vascular incluem resposta extensora plantar, paralisia pseudobulbar, anormalidades da marcha, exagero dos reflexos tendinosos profundos ou fraqueza de uma das extremidades.

A diferenciação entre Doença de Alzheimer e Demência Vascular costuma ser difícil e muitos tipos de doença vascular do cérebro podem levar a um comprometimento da cognição suficiente para originar um quadro demencial.

 

 Essas doenças vasculares incluem:

 · Infartos grandes;

 · Infartos lacunares;

 · Infartos fronteiriços (watershed infarction); e

 · Doença de pequeno vaso (doença de Binswanger).

 

 DEMÊNCIA FRONTO-TEMPORAL

 A Demência Fronto-Temporal (DFT) apresenta um quadro clínico de deterioração mental progressiva com afasia grave (deterioração da linguagem) e distúrbios comportamentais associados à degeneração (atrofia) temporal esquerda ou fronto-temporal. Sua evolução é rápida, em geral, deteriora em um ano mas, por vezes, chegando a 5-10 anos. Esse tipo de demência é às vezes chamada de Complexo de Pick, é caracterizada por atrofia do cérebro nas regiões frontal e temporal.

O início da DFT é, predominantemente, em um grupo de pessoas mais jovens que em outras demências. No quadro clínico da DFT podem prevalecer distúrbios de personalidade e comportamento, caso as lesões sejam frontais ou, se forem temporais, com afasia progressiva com demência semântica. Se inicialmente surgem alterações de comportamento, personalidade ou da fala, os problemas de memória na Demência Fronto-Temporal aparecem mais tardiamente, tornando difícil o diagnóstico de demência. Da mesma forma, está prejudicado o diagnóstico precoce quando se utiliza o Mini-Exame de Estado Mental (MMSE - Mini-Mental  State Examination), que pode não detectar anormalidades em pacientes que com DFT quando as alterações são mais frontais.

O diagnóstico por imagem pode exibir uma atrofia focal das áreas frontais e/ou temporais, que é freqüentemente assimétrica.

Embora possam ser necessários testes neuropsicológicos mais complexos para o diagnóstico da DFT, privilegia-se uma boa entrevista com familiares sobre alterações de personalidade.

 

 DEMÊNCIA COM CORPOS DE LEWY

 A Demência com Corpos de Lewy (DCL) ou doença difusa com corpos de Lewy, é cada vez mais reconhecida como uma causa freqüente da demência no idoso. O quadro clínico típico de apresentação é de uma demência flutuante, com déficits proeminentes de atenção, tarefas executivas frontais e habilidades visio-espaciais.

 Clinicamente a DCL é definida por:

· Demência de pelo menos seis meses de duração, acompanha por períodos de confusão; alucinações (especialmente visuais);

. Quedas freqüentes;

· Sinais extrapiramidais espontâneos, tais como rigidez ou lentidão e pobreza de movimento (bradicinesia); · Maior sensibilidade aos neurolépticos; e

. Progressão mais rápida.

 Na Demência com Corpos de Lewy as alucinações são relacionadas à atividade colinérgica neocortical. Assim, nesses pacientes a melhora da atividade colinérgica é considerada um tratamento mais satisfatório. Por isso, o papel dos inibidores da colinesterase na DCL tem estimulado bastante as pesquisas e os primeiros trabalhos sugerem que os pacientes com esse tipo de demência podem apresentar uma resposta mais pronunciada a esses compostos, possivelmente relacionada ao déficit significativo na colina acetiltransferase.

 

Fonte: Ballone GJ - Demências - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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