O USO DA TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS PARA A REDUÇÃO DE ALTERAÇÕES DE COMPORTAMENTO NA DOENÇA DE ALZHEIMER

O USO DA TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS PARA A REDUÇÃO DE ALTERAÇÕES DE COMPORTAMENTO NA DOENÇA DE ALZHEIMER

ALEXANDRE MAGNO FROTA MONTEIRO – NEUROPSICÓLOGO

alexandre@centronati.com

Introdução

A doença de Alzheimer é um tipo de demência degenerativa, progressiva e, até o presente momento, inexorável. A semiologia clínica e neuropsicológica pode identificá-la e classificar seus estágios. A fase clínica da doença, quando o diagnóstico sindrômico de demência já pode ser feito, inclui comprometimento cognitivo de todos os domínios, iniciando pelos transtornos de memória e atingindo também atenção e concentração, linguagem, gnosias, praxias e as funções executivas com ocorrência hierarquizada temporal e de intensidade crescente conforme o estágio da doença. Também há comprometimento das atividades funcionais, ou seja, das atividades da vida diária; e, há ainda, ocorrência de alterações de comportamento (Laks; Marinho; Engelhardt, 2006).

Como conseqüências da doença de Alzheimer alterações comportamentais como: agitação, disforia, apatia, irritabilidade, comportamento motor aberrante, delírios, alucinações, desinibição, entre outros, são freqüentemente observados em pacientes com demência degenerativa e tendem a aumentar conforme avança a doença. Tais sintomas comportamentais estão diretamente associados com aumento da sobrecarga nos cuidadores.

A Terapia Assistida por Animais é uma técnica utilizada por profissionais de saúde, que têm objetivos terapêuticos específicos e que utilizam animais como ferramenta para o tratamento da saúde física, mental ou social de seus pacientes. O resultado terapêutico na doença de Alzheimer se dá em conseqüência de efeitos sobre os aspectos emocionais e sociais do paciente, pois estes são espontâneos e geralmente inesperados, podendo, em alguns casos, gerar resultados somente com a presença do animal.

Os animais de estimação diminuem o estresse, baixando a freqüência cardíaca, a pressão arterial e o colesterol do ser humano. As pessoas que possuem animais de estimação fazem menos visitas médicas, diminuem tempo de permanência em hospitais e têm uma melhor adaptação, após uma doença, a uma nova rotina de recuperação. Os animais favorecem a aproximação entre as pessoas, focando um assunto que não seja a doença, e assim, combatem a depressão e o isolamento. São capazes também de estimular o exercício físico, no caso dos cães, o que é de grande importância na recuperação da maioria das doenças. Os animais de estimação também possuem um forte efeito ansiolítico, aumentando o limiar da dor (Becker, 2003).

Objetivos

O objetivo principal desse trabalho é reduzir quantitativamente as alterações comportamentais dos idosos institucionalizados, dando assim, uma melhor qualidade de vida para os idosos, para os familiares e para a equipe técnica.

Objetivos secundários

1 – ajudar no diagnóstico diferencial de demências;

2 – diminuir a institucionalização imposta pela instituição geriátrica;

3 – estimular a convivência e a comunicação dos hóspedes para com os hóspede e dos hospedes para com a equipe técnica;

4 – reabilitação cognitiva.

 

Metodologia

Antes da introdução do estímulo dos animais na instituição, foi feito um levantamento qualitativo junto aos idosos e familiares para saber de possíveis medos, incômodos, fobias e / ou alergias dos pacientes perante a presença de animais.

Após a aprovação de familiares e idosos foi feita uma observação do comportamento dos idosos, na respectiva instituição, sem a presença dos animais. Duas semanas antes de começarem a ser estimulados com os animais, foram passados nas sessões de cineterapia, filmes da Lassie.

Os animais utilizados neste projeto foram:

-           cães:  1 macho de collie, 1 macho de pastor de shetland,  1 fêmea  SRD de pequeno porte e 1 macho SRD de pequeno porte.

-           aves:  2 calopsitas, 1 jandaia mineira e 1 papagaio da cara roxa.

                 

Os animais (cães e aves) foram levados uma vez por semana, aos sábados, durante 3 anos, a uma instituição geriátrica de longa permanência, onde residiam aproximadamente 25 idosos com diagnóstico de Alzheimer.

As visitas dos animais ocorreram aos sábados pela manhã. Foram criadas atividades de estimulação cognitiva onde os idosos pudessem interagir com os animais, com os outros idosos e com a equipe técnica. Dentre as atividades podemos destacar:

-           pequenas caminhadas com os animais pela instituição;

-           escovação da pelagem dos animais;

-           modelagem do comportamento dos animais através do reforço positivo;

-           trabalhos educativos sobre a função das raças e alimentação;

-           cuidados de saúde e higiene;

-           terapia de reminiscência.

Resultados

Como resultados obtivemos:

1 – a diminuição do foco da dor por aqueles que estavam em reabilitação pós-cirúrgica;

2- redução de comportamentos agressivos para com os hóspedes e para com a equipe;

3 – diminuição de perambulações;

4 – melhora significativa no horário das refeições, pois muitos passaram a segurar seus talheres e ficaram menos dependentes de cuidadores;

5 –facilitação na comunicação com o terapeuta e com a equipe;

6 – melhora na motricidade fina para desenvolver pequenas tarefas;

7 – expressão de sentimentos;

8 - oportunidade de ser ouvido.

 

Conclusão

Utilizar animais como co-terapeutas junto aos idosos reforça a importância do vínculo homem-animal. Dentre os benefícios, podemos citar a reabilitação mental, física, e social, levando o assistido a uma melhor qualidade de vida. A mudança do foco do animal de estimação para co-terapeuta também é benéfico, pois o animal passa a ser visto como um ser ativo, sendo, assim, valorizado e impondo mais respeito.

Um projeto de Terapia Assistida por Animais utiliza sempre uma equipe multidisciplinar e demanda uma série de exigências para que possa ser implantado. O papel do psicólogo, alem de agente facilitador, é trabalhar com a interação homem-animal, com o combate à fobias, solidão, depressão, abrindo assim, um novo foco de intervenção da psicologia aplicada à reabilitação.

A existência de programas que utilizam os animais como auxílio para terapias é grande, mas deve ser realizado de forma responsável, com segurança e integridade. O sucesso desses programas depende da interação de uma equipe multidisciplinar e, principalmente, do bem-estar dos envolvidos e do animal.

 

Referências Bibliográficas 

BECKER, Marty; MORTON, Danelle; - The Healing Power of Pets. New York: Hyperion, 2002.

LAKS, J. et al. DEMÊNCIA E TRANSTORNOS COGNITIVOS EM IDOSOS – Guanabara Koogan, 2006.

MC CABE, B. W. et al. Resident dog in the Alzheimer´s special care unit. Western Journal of Nursing Research, 24(6), 2002, p. 684-696.

VERNAY, D. Le chien partenaire de vies: applications et perspectives en santé humaine. Ramonville Saint-Agne: Éditions Érès, 2003.

WILSON, C. C.; NETTING, F.E. Companion animals and the elderly: A state-of-the-art. Javma, [S.l.], v. 183, n.12, dez. 1983, p.1425-1429.

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